Anna brasileira, 54 anos, casada
com Valter, mãe do Pablo, do Tiago e da Camila, e a vovó mais feliz do mundo do
Érick. De bem com a vida, feliz por ser quem é. Pequenina, mas tenho um coração
de mãe, sempre cabe mais um, pode chegar. Adoro os meus amigos, e tenho muitos,
basta dar uma olhadinha nos links aí do lado. E tem um detalhe, não são só
esses. Tem muito mais.
Esses último dias, fiquei pensando n as duas famílias afetadas tragicamente pela droga, no Rio de Janeiro.
A história tão divulgada do rapaz que, drogado, matou a namorada, uma jovem de dezoito anos, que estava tentando livra-lo da mesma. Fiquei imaginando o sofrimento daquele pai, que veio à publico e pediu perdão à familia da jovem morta.
Cheguei a ouvir, a expressão: "Agora é fácil, pedir perdão". E digo: Não, não é fácil pedir perdão.
Apesar de toda a dor desse pai e desa mãe, que perdeu para sempre sua filha, ainda tão jovem.
Digo, e repito sempre: Nenhum pai, nenhuma mãe, merece o sofrimento de enterrar um filho, principalmente, quando a vida do mesmo lhe é roubada por alguém.
Mas e o pai e a mãe do rapaz? Será que não sofrem? Eles também perderam seu filho, perderam para as drogas, que veio, e tirou o sossego, e deixou no lugar, apenas o desespero.
Não dá para medir sentimentos, mas na minha opinião, eles estão perdendo muito mais. Perderam a paz de espírito, ao pensar no filho, numa cela de cadeia. O mesmo filho que criaram e amaram, e amam, está agora lá, à mercê de toda a dor e sofrimento, sem que eles possam protege-lo. Entre bandidos, pessoas de má índole, pagando por algo, que lhes fugiu totalmente ao controle.
E eu, ainda me pergunto: Até onde, a maldita droga fará vítimas? Até onde, viver, e enfrentar a modernidade, não nos faz vítimas de nosso próprio viver?
Olhem para seus pequenos, o maior amor de nossas vidas, e, se confiar em Deus, entregue sua vida e seu destino ao Pai. E, que ele não se canse de nós. Do contrário, estaremos definitivamente perdidos. Sou solidária à dor desses pais.
Um texto.
Muito bom, na minha opinião.
Para que já conhece, lembrar.
Para que não conhece, poder conhecer.
O terreiro árido, povoado apenas de terra rachada e espinhos de joá reflete o sol inclemente da manhã. Dentro do barraco de taipa de pilão as crianças brincam no chão de terra. O suor desce pelo rosto e só as moscas teimosas sentem-se confortáveis.
O rincão do norte da Bahia, quase Piauí já tem o nome de Boca do Joá. A fazenda largada pela família do Coronel Justiniano há muito tempo, hoje é habitada apenas pela família do Zé de Enoque. Sertanejo sofrido, rosto marcado, secas sem conta já atravessou. Mulher morrida e dez filhos prá criar.
Maria Justina a mais velha, onze anos. Abaixo dela, uma escadinha. A caçula de ano e meio. Triste vida. Seca. Miséria e fome. Um rádio distante toca uma música de Luis Gonzaga. Deve ser o rádio do carro de Zé Simão. Outro som, por ali não há.
Maria Justa, que é como o pai lhe chama sai no terreiro prá ver de onde vem o som. Um carro velho parado lá distante na entrada da porteira quebrada mostra quem chega. É Zé Simão sim, aquele velho nojento.
A menina apanha uma lata com água suja do barreiro e corre prá dentro. Esconde-se no canto. Não gosta daquele homem. Da última vez que veio ficou bolinando seus peitos. Doeu muito e ele não parava de espremer entre os dedos o bico miúdo. E os olhos, então? E o calor que lhe subiu pelas pernas e foi parar na boca do estômago vazio?.Vazio de fome, de saudades da mãe que se foi há pouco tempo. Ela chorou muito nesse dia. Não entendeu direito a conversa do pai com o Zé Simão. Entendeu só que o vizinho dizia pro pai por preço que outro dia voltava. Não teve coragem de perguntar ao pai do que se tratava. Não entrava em conversa de adulto. Ficou sem saber.
Agora aquele homem nojento estava ali de volta. Ela não sabe o que é, mas sente medo e um negócio estranho quando vê ele se aproximando da entrada da casa. Umas galinhas magricelas correm pelo chão quente e vão se abrigar dentro da casa denunciando a menina que se encolhia acantoada.
--ô de casa? Pergunta o vozeirão do homem que fede a bode na porta
Maria Justa fica quietinha como a querer dizer que não tem ninguém em casa. Mas os irmãos pequenos doidos por novidades correm à porta e já se amontoam junto às pernas do homem que tampa toda a passagem com seu corpo.
Seus olhos assustados de bugre fugidio encontra os do homem ali à frente.
--Não escutou chamar, não sua bugrinha fedorenta? É o homem que fede a bode falando prá ela enquanto corre os olhos pela casa inquiridor.
--Onde está o pai? Volta a perguntar.
A menina assustada se cala, quer correr, quer gritar. Nenhum som sai de sua boca. Travada. Seca.
Tive que viajar na última semana, por motivo de doença do meu irmão. A viagem nõ foi planejada, até foi muito inesperada, mas deixei o doente com sua saúde sob controle, e aproveitei para rever meus familiares, que são muitos, e aproveitei do que mais gosto. A natureza.
Nesta foto acima, estamos os cinco dos oito irmão vivos. Em ordem cronológica decrescente, da esquerda para a direita. O segundo é meu irmão Joaquim, que infartou nos últimos dias. Está ainda bem fraquinho e abatido, mas sob controle.
Esta foto, de uma nascente num pequeno sítio do meu sobrinho, onde estive e me divertí muito.
Aqui, um fogão improvisado, uma vez que ainda não foi feito o fogão definitivo, e na hora de fazer o jantar, acabou o gás. Nem por isso ficamos sem jantar. Nas panelas ali, estavam o feijão e a polenta, que foi o prato servido com frango.
Aqui, o frango. Caipira e delicioso.
E, claro, tinha que aproveitar as mangas que adoro, e que começam a amadurecer. E o mais gostoso da manga, é assim, se sujando, e aproveitando toda sua polpa.
Agradecendo o carinho e preocupação dos amigos, que têm perguntado sobre meu sumiço. Estou chegando. Fiz uma pequena viagem, e cheguei ontem.
Um dos meus irmãos, que mora no interior de São Paulo, sofreu um infarto, mas agora já está melhor. Passei por lá uma semana, e aproveitei para ver toda a minha família. Trouxe algumas fotos que mostro na próxima semana.
Hoje, quero apenas desejar ao meu filho Tiago, um feliz aniversário. Ele que faz aniversário no dia de Santa Edwvirges, e que tem a proteção constante de Deus. Filho querido, que você continue sendo abençoado por Deus, e com isso sendo essa pessoa iluminada e generosa que sempre foi. Amamos você. Receba o nosso beijo. Meu, do pai, do Pablo, Mila e Alessandro, Érick, e claro, da Mari.
Logo após a notícia, era inevitável não pensar no que tem sido a sua vida. Verdade. Tem sido bastante sofrida.
Casou-se cedo. Ela sempre dizia: Casou ainda menino. Logo após, vieram os meninos. Quatro.Uma escadinha.
Foram anos de luta pela sobrevivência, para encher a barriga dos meninos. Nem sempre coneguiram. A mulher, levou os meninos desde muito cedo para a roça. Precisavam aprender a trabalhar, para o seu próprio bem. E como os meninos trabalharam! Mas ela fez deles, homens de bem. Pra falar bem a verdade, grandes homens. Não enriqueceram, mas venceram.
Hoje estão tranquilos com suas famílias, sem as preocupações e sofrimentos que tiveram quando crianças. Você viajando pelo mundo. Precisava trabalhar.
Como a vida é feita de escolhas, lá fora, fez a sua. Os meninos quando descobriram, uma outra família sua, sentiram raiva. Um sentimento de dor e traição, que ninguém gosta de sentir.
No início, todos lhe viraram as costas. Menos ela.
Apesar de reconhecer que você tinha errado, era mãe, e jamais lhe daria as costas. Lembra quando ela nos dizia: "A família é o maior tesouro que temos", cuide da sua, ame a sua, respeite a sua? Ela nos dizia isso sempre.
Aos poucos toda a raiva dos meninos deram lugar, à apenas uma decepção, uma grande mágoa, que não os impediu de querer lhe ajudar, de dar à você, aquele conforto sonhado, que agora já com quase setenta anos, merecia ter.
Já com idade avançada, precisava continuar trabalhando, a aposentadoria era tão pouco! E a sua nova família, grande. Junto à mulher, vieram seus dois filhos e todos os agregados dela, e todos dependiam de você.
Lembre-se que a escolha foi sua. E para toda escolha, há um preço a pagar. Já não sei se sua escolha te fez feliz algum dia, ou se apenas assumiu suas responsabilidades.
O que sei hoje, é que estando aí agora num CTI, apesar de toda dor, seus filhos, os meninos, os quatro, mais todos os seus netos estão ao seu lado, cuidando de você, amando e sofrendo pela perspectiva da perda. Exatamente como ela nos dizia. A família é o seu alicerce. Que pena! Sei que eles gostariam que fosse diferente. E o que sei também, é que pensar na sua vida, aqui tão longe, no que já sofreu, me machuca também.
Está na hora de admitir um fato tão surpreendente, mas tão surpreendente, que a maioria das pessoas prefere não enxergá-lo — para não ser obrigada a questionar convicções arraigadas nem aceitar idéias politicamente inconvenientes. Estou falando de uma revelação do IBGE, que informa que os homens brasileiros vivem, em média, 7,6 anos a menos do que as mulheres. Se esta situação já era conhecida há mais tempo pelos estudiosos, o IBGE relata que, nos últimos 20 anos, a diferença aumentou em um ano e sete meses nos — contra os homens. Na ponta do lápis, é um aumento de 20% contra os homens. A pesquisa mostra que os homens morrem mais cedo, sofrem mais com a violência e também são vítimas de doenças incuráveis com mais freqüencia. Podemos empregar vários critérios para medir a qualidade de vida de uma pessoa ou de um grupo de pessoas. Duvido que se encontre um termômetro melhor do que a expectativa de vida. Conforme o IBGE, a violência é responsável por 18,3% das mortes de homens, contra 4,9% das mulheres. Outro fator é a saúde. Os homens enfrentam maior incidência de doenças do coração, câncer e diabetes em comparação com as mulheres, além da pressão arterial e taxa de colesterol mais elevadas.
Mas ao mesmo tempo, eu me pergunto, porque será que os homens detestam tanto os médicos? Seria descuido, medo, teimosia, falta de amor à vida, ou o quê? Talvez por quererem sentir-se fortes e inatingíveis, eles sintam medo de saber, que são vulneráveis, que podem sim ficar doentes, que precisam tanto, como qualquer ser humano de cuidados de profissionais. O que sei, é que vejo com frequência, homens se esquivando de cuidados com sua saúde, e já vi casos, que a procura foi tarde demais. Não deu mais tempo de reverter um câncer, que já em estágio muito avançado, em pouquíssimos meses levou alguém, que estava trabalhando normalmente.
Todos nós, um dia nos casamos, e sonhamos com nossos filhos. Comigo não foi diferente. Sonhei e realizei meu sonho. Os filhos vieram, e com eles no decorrer de nossas vidas, nos alegramos, rimos, choramos com eles. Perdemos o sono algumas vezes, quando uma doença os rodeava, e queríamos sofrer no lugar deles. Sonhamos muito com a realização pessoal de cada um, e com a felicidade eterna. Com o Tiago também foi assim. E um dia, chegou a Maristela, ou Mari, como a chamamos. Não veio simplesmente. Veio para ficar. E para fazer meu filho sonhar com a felicidade, e querer realiza-la. Está aí. Linda, realizando o nosso sonho. Ganhamos uma filha. Seja muito bem vinda querida, no seio de nossa família. Aqui há muito amor, e ele já se estendeu à você também. Seja muito amada, ame muito meu filho, e sejam principalmente muito felizes. Todos os anjos em coro pedem isso, e isso será uma realidade. É a vez de vocês dois sonharem, como nós, com os filhos, que os farão mais felizes.
Foi assim, um dia lindo, mágico. Para guardar para sempre.
Missão cumprida.
Eles estavam felizes, e nós também.
As fotos ainda não são as oficiais, algumas que conseguimos, e o posicionamento do fotógrafo não era dos melhores. Outras virão, pelas mãos de profissionais. Aguardem.
Felicidade de pai e mae eh a felicidade dos filhos Como eu disse no post anterior, chegou aqui em casa o periodo das festas e aniversarios Amanha e dia do aniversario da Mila. Mais uma do signo de virgem em casa. Nao bastasse isso, amanha eh dia de festa maior.
Vao se unir, perante a lei dos homens e a lei de Deus, o meu querido filho Tiago e a querida Maristela. Nossos pensamentos e nosso desejo eh que Deus lhes de a felicidade sonhada. Estamos felizes com a felicidade de voces.
A falta de acentos deve-se ao uso de uma maquina que nao e minha, e nao sei usa-los. Desculpem.
Para os amigos mais antigos, já sabem que hoje começa o período de festa por aqui. Hoje comemoramos o aniversário do Pablo. O Érick, abre a temporada, mas temos aí um intervalo de final de julho até hoje, 13/09. Parabéns meu filho. Que Deus continue sendo luz no seu caminho, para que trilhe sempre o caminho do bem e da verdade. E que isso lhe traga muita alegria e felicidades. Hoje, como em todos os dias, eu e seu pai, elevamos nossos pensamentos à Deus, pedindo proteção constante para você. Receba meu filho um beijo especial de todos nós. Meu, do pai, Tiago e Mari, Camila e Alê, e, claro do Érickinho, seu grande companheiro. Seja feliz Pablo. Sempre.
Ao lado do Bem, está aí a querida Vivina de Assis Viana, que escreve deliciosamente. Sempre digo à Vivina, que quando a leio, tenho sempre a sensação de estar sentada no chão, como fazíamos quando criança para ouvir histórias. Histórias que me encantavam, e que tanta atenção prendia.
Sempre tenho a impressão de estar ouvindo alguém contar histórias para mim. Vivina agora tem seus contos publicados aqui, entre outros bons contos. Um deles, trouxe para dividir com vocês. Vejam que delícia!
E agora?
Noite dessas, cheguei do trabalho e encontrei meu filho do meio decepcionado.
Em voz baixa, parecendo outra pessoa – seu tom de voz é quase um grito – me puxou pra um canto e, quase chorando, segredou:
– Mãe, lembra quando eu te contei que minha classe ia ler seu livro? O Mundo é pra ser voado, lembra? Não tem quase ninguém gostando.
– Não?
– Só o Caio. Logo ele, que não é tão meu amigo...
Tentei dizer-lhe que livros costumam ser como pessoas ou coisas. Uns gostam de uns, ou umas; outros de outros, ou outras. Há até quem não goste de nada, ou de ninguém.
– Mas de futebol e de corrida de carro todo mundo gosta, né, mãe?
– Nem sempre, filho. Você não vê aqui em casa? A gente sempre vai ao futebol, mas você nunca me viu numa corrida de Fórmula Um...
– Isso é porque você não é da minha idade, mãe. Se fosse, gostava.
Quase lhe disse, então, que a idade talvez fosse a causa do desencontro autor-leitor.
Não seria cedo demais para ler a história da mudança de uma família de Belo Horizonte para São Paulo? Eles perceberiam, além do emaranhado de móveis e caixas transportado pelo caminhão, a complexidade de emoções e ternuras que só o coração pode guardar e transportar?
Não lhe disse nada. Afinal, quem é que sabe a hora, o momento e a idade para se ler um livro? Além do mais, o Caio não estava gostando?
Não havendo milagre capaz de transformar em legível o que os queridos colegas haviam qualificado de chato, horroroso, sabe-se lá mais o quê, mudei de tática. Convidei-o, e o irmão mais novo, para uma sopa.
Nem virou o prato pra cima. O irmão perguntou se ele estava com alguma dor.
– Muito pior – disse. – Você acredita que meus colegas não estão gostando do livro da mãe?
– E você acredita nisso, seu bobo? Eles só querem te encher o saco!
Dentro de alguns poucos anos, estarei exatamente assim. É minha irmã. Somos muito parecidas. Érickinho se encarregou de fazer a montagem das duas fotos.
Alguns pequenos problemas para serem resolvidos, têm me deixado um pouco afastada. Mas tudo ficará bem logo, logo. Tenho visitado vocês, dentro do possível.
Esses dias lía essa matéria, e confesso fiquei estarrecida. Embora já soubesse disso, mas quando li, não pude deixar de pensar, em quanto as pessoas podem e conseguem ser tão cruéis, quando isto vem de encontro aos seus interesses. Incrível imaginar e ver que uma mãe, pode usar seu filho, para atingir seus objetivos, ou seja, sua vingança. Em nenhum momento se pensa no bem estar da criança, não se pensa nos sentimentos das crianças, aliás, para este tipo de mãe, criança não tem sentimento, não tem "querer". A matéria é muito boa, mostra bem os dois lados da moeda. A íntegra está aqui:
Um crime silencioso acontece dentro dos lares brasileiros. Frequente, porém sutil, muitas vezes está disfarçado de amor e cuidados. Na maior parte das vezes, é cometido por mães, seres santificados pela sociedade e pela Justiça, mas que podem se transformar em criaturas levianas e egoístas quando se transforam em…ex-mulheres. Quem não tem um familiar ou amigo que está sendo afastado de seu filho após a separação? Quem não ouviu as histórias mais escabrosas sobre pais divorciados que ganham cabelos brancos brigando na Justiça por um pernoite com suas crianças? Quem não sentou na mesa de bar com um amigo que luta para poder ser um pai de verdade e ficou até de madrugada ouvindo seu desabafo de homem amargo, confuso e, principalmente, impotente?
Eu coleciono tais histórias entre meus amigos. Um deles passou o último aniversário do filho rodando em todos os endereços em que ele poderia estar - o da mãe, dos avós maternos, de parentes. Em vão. Ninguém atendeu o interfone ou lhe deu informação decente. Não conseguiu dizer parabéns. Outro briga na Justiça há um ano para conseguir um fim de semana inteiro. O filho, de dois, não sabe mais o que é dormir com o pai. Um teceiro batalha para conseguir atenção da filha adolescente, que se sente traída e abandonada, seguindo a cartilha da mãe.
Esses homens devem alguma coisa a alguém? Não. Trabalham, pagam suas contas - e as do filho! Deles foi cobrada participação quando eram casados. Trocaram fraldas, passaram noites acordados, seguindo a cartilha do novo pai. Por que agora se transformaram em cidadãos sem direitos aos olhos das ex-mulheres? A palavra é uma só: vingança. Quantos pais ouviram de seus fihos: não quero ir com você? Verdade? Ou apenas um conflito de fidelidade da criança, diante do comportamento e das posições da mãe?
Quando a menina pequena abre os olhos de manhã cedo, pergunta logo Cadê mamãe? Neste dia não tem resposta. Nunca mais terá resposta a essa pergunta. Mazi disfarça, diz que a mãe foi ali e volta já, mas o dia inteiro se passa e a mãe não volta. Irritada, inquieta, a menina não consegue brincar, chora, não tem apetite: Não quero comer esta porcaria!, joga o prato em cima de Mazi.
A menina percebe que alguma coisa está profundamente errada. Não sabe o que é, porém seu corpo alerta indica o perigo a rondar. Precisa da mãe ali para protegê-la, defendê-la. Chama por ela, chora por ela, mas desta vez a mãe não está ali junto, sumiu. Muito confusamente a menina intui que o problema é a mãe, a mãe é o problema, mas não entende nada, e chora.
Quando o pai enfim volta para casa, a menina voa em cima dele. Pula em seu pescoço, ansiosa: Cadê mamãe?, mas o pai a devolve ao chão. A menina percebe que o pai não olha para ela, o olho dele está saindo pela janela, longe. Parece muito cansado, o seu pai. Cadê mamãe, cadê mamãe?, insiste. A resposta chega como surra:
— Mamãe está doente. Vai precisar ficar no hospital.
Doente? Mas mãe não fica doente! Pela primeira vez, o pai sorri. “Fica, sim. Lembra quando ela sentiu aquela dor de garganta e teve de ficar na cama? Estava doente.” Mamãe tá com dor de garganta? Não. Tá com dor de dente? Não. Com dor de olho?De nariz? Andando atrás do pai, a menina vai repetindo a mesma pergunta, com a troca só da última palavra. Não estava nem na metade da sua lista de partes do corpo, quando o pai dá um berro: “Chega! Me deixa em paz!” tão súbito e alto e aterrador que a menina escorraçada dispara rumo à cozinha, vai chorar no colo de Mazi.
Nesta noite, ela consegue dormir só muito tarde, depois de Mazi cantar o sapo cururu várias vezes e seus olhinhos se fecharem de exaustão.
Sonha com a figura forte da mãe a seu lado, as duas caminhando juntas pela rua clara de sol, uma brisa que vem do mar levantando os cabelos delas, a sua mãozinha protegida dentro da mão firme da mãe. Ela observa admirada aquela mãe tão bonita, alta, elegante, empinada. Ri pra ela, de pura satisfação. Com mamãe, eu não tenho medo de carro. Não tenho medo de cachorro. Nem medode sumir na multidão. Nem medo de esquecer o caminho de casa. Mamãe sabe. Mamãe conhece todos os caminhos. Mas no sonho então a mãe se vira para ela, rosto sério, e diz: “Estou perdida. Não conheço mais os caminhos.”
A partir daí a vida da menina vira confusão barafunda anarquia desarranjo, ela aos trambolhões de uma casa pra outra, o pai no trabalho ou no hospital, Mazi dando adeus e indo embora, um monte de gente estranha em volta, seu mundo de ponta-cabeça, todas as coisas, todas as pessoas fora de lugar, pesadelo.
A menina pergunta a cada hora Por que mamãe tá demorando tanto? Ninguém sabe lhe responder. “Como contar a uma menina pequena que sua mãe ficou doida?”, pensam. Quando mamãe vai voltar?, insiste. Ninguém conhece a resposta. À hora de dormir, no escuro, a menina passa devagar a ponta da fronha no rosto, enquanto pensa perguntas que não tem coragem de dirigir aos outros: Por que mamãe não me disse onde ia? Por que não me deu adeus, beijo, nada? Por que ela me deixou aqui sozinha?
No dia seguinte, retorna à pergunta habitual: Quando mamãe vai voltar?
Aquela mãe nunca voltou.
A mãe que sabia todos os caminhos nunca voltou.
A filha não a esquece. Como poderia, se a vida inteira tem caminhado ao seu lado na rua clara de sol, passo a passo com a silhueta sem carnes, com a evocação do vulto esbelto, elegante, altaneiro, a vida inteira assombrada pela convivência íntima com o enigma, com a ausência gigantesca que entretanto misteriosamente ainda é capaz de lhe indicar caminhos? Janaína Amado.
O texto da Janaína, mostra bem o sentimento que tenho. Embora, já adulta, no dia 21 de agosto, há doze anos, me senti como a menina, abandonada e triste, quando minha mãe, se juntou aos anjos do céu, deixando entre nós apenas saudades. Ainda me faz falta, mãe.
Quando seus dedinhos grossos conseguem finalmente erguer a tampa da caixa, quase sem respirar grita É uma menina!Ganhei de presente uma menina! E se desconcerta, porque os adultos em volta riem, e detesta que riam dela. Como assim boneca, se as suas bonecas são pequenas e moles, de pano, só a cara têm de louça, seus grandes olhos pintados não se mexem, mas esta... Ah, esta dorme e acorda, acorda e dorme, esta tem cabelos cacheados de fada — a menina sente incontrolável arrepio de satisfação, ao tocar os cabelos da boneca —, esta mexe os braços pra cima e pra baixo, veja! O tio lhe mostra que a boneca... anda como eu! Usa batom e rouge e veste um vestido cor de rosa de festa e um chapéu de festa e sapatos e meias rendadas de festa tão lindos como eu nunca tive nem nunca vou ter na vida. Texto completo aqui:
Janaína escreve assim, lindamente. Usa as palavras com maestria. Faz das palavras, um conjunto de coisas que nos dá arrepios. É a competência para escrever. Não tenho esse dom, mas o texto dela me lembrou a minha história. Também tive uma boneca de louça. A única boneca que ganhei de minha mãe, na minha vida. Nunca, antes, nem depois ganhei outra. Minha mãe viajou do interior de S Paulo, para Aparecida do Norte, como fazia, todos os anos. Neste ano, eu fiquei, e como prêmio, ganhei uma boneca. Ela era linda, quase do meu tamanho, e todinha de louça. Ninguém do meu convívio, tinha uma boneca tão grande e tão bonita. Era um sonho, sim, um sonho, na verdade nunca sonhado. Jamais imaginei ter uma boneca como aquela. Tinha uma prima, que era um pouco minha irmã. Tanto lá na casa dela, como na minha, brincávamos, horas e horas. E eu sempre agarradinha com minha boneca. Um dia, deixei a boneca lá na casa dela, e alguns dias depois, quando voltei, veio a notícia. Minha tia, disse assim que cheguei, que minha boneca, guardada em cima do guarda roupas, tinha se "espatifado" no chão. Senti um grande arrepio. Não tinha conserto, ela era de louça, e não tinha remendo no mundo que me devolvesse a boneca tão sonhada. Tia Luzia, foi além. Me disse: Ninguém aqui teve "curpa". A "curpa" foi sua mesmo. Quem mandou você deixar aqui, porque não levou para sua casa? E eu fiquei ali, quieta, engolindo em seco, a primeira grande perda da minha vida. Esses dias, fazendo uma das minhas visitas lá na Janaína, me deparei com um post lindo, que parecia minha própria história. Não sei escrever como ela, mas tive de volta, todas as lembranças, e vivi de novo, todos os momentos. Os de alegria, em ter minha boneca, o momento que ganhei meu melhor e único presente, e também a dor da perda. Quem me conhece, já sabe que não me lamento de nada que não tive, e nada disso, me faz mal lembrar, pelo contrário, acho que toda minha vida, tudo que já vivi, só me serviram de estímulo para valorizar aquilo que posso ter. Apenas contei, porque o post dela aqui, é lindo e vale a pena ser lido na íntegra. Vai lá.
Hoje é dia de mandar lindas flores para um amigo muito querido.
Ery Roberto, do blog Infinito Positivo, hoje faz aniversário. E todos nós seus amigos queremos lhe abraçar, e mandar flores.
O Ery, é uma daquelas pessoas, pelo qual agradecemos a blogosfera, por ter nos trazido para nosso convívio. Tem uma sensibilidade rara, é inteligente, persistente, vai até o fim, quando quer realizar algo, e mais, um grande amigo.
Falo do Ery, com carinho de mãe, mesmo sem ter idade para ser sua mãe, mas é assim que o sinto. Ery querido, aqui em casa, todos nós temos muito orgulho de sua amizade. Ela nos é muito importante.
Feliz aniversário! Continue essa pessoa doce e maravilhosa que é. Um beijo e o carinho da familia Ferraz.